A gente é nada. Nada vezes nada quando a gente se compara a um filme. O filme é “Norms Diner” em Groton, Connecticut. Tudo aquilo que esperamos ouvir Lou Reed cantando de um road side diner com uma GPZ. Sem uma GPZ, meu caso, mas com o famoso Mini. A cidade sede de todos os submarinos do mundo, da academia de submarinos, de treinamento, de meninos louros com uniformes de camuflagem azul (como diz o Paul: pra se esconderem nas ondas). Groton CT. E eu lá, num road side diner prateado , como todos devem ser. E Diane era a garçonete de unhas enormes e cor-de-rosa como o chiclete que ela mastigava ao ponto de fazer bola. Diane e seus 60 e muitos. Ela me enervava na sua magreza de voz rouca de tantos cigarros. As unhas me traziam um único guardanapo e os pedaços de bacon com ovos. E a roucura me chamava de “darling”.
Uma noite num motel em Groton. Uma noite que eu não dormi. Não que eu estivesse pensando no filme que eu veria no “Diner”. Não que o motel tivesse um crime e um Norman, além do dono daquele “Diner”. Tinha sim um túmulo no estacionamento. Com rosas de plástico da cor das unhas da Diane. E muito fog. Essa é Groton , New London, Connecticut.
Eu peguei o “The Day” enquanto comia meus ovos com bacon da Diane. O jornal local do dia e falava de um homem baleado na calçada na noite em que eu não conseguia dormir. A policia local está investigando. A policia especial de CT está investigando. O FBI também. As mesmas calçadas planas e limpas. E cheias de chiclete da Diane.
SCI conclusão: eu não dormi por alergia, por conta de tantos gansos mortos pra encherem aqueles travesseiros. Eu passei a noite lendo a Esquire, a Harpers e um livro da Fernanda Young e pensando como que uma cidade de 39.907 habitantes ( ok, 39.906 desde o último domingo) podem ter calçadas tão encantadoramente lisas e planas e nós não.
Que Netuno dê muitos anos de vida a Diane e seu patrão Norm, pra que sirvam gente faminta. Marinheiros de primeira viagem como eu, com nuit blanches por alergia e uma imaginacao pantagruélica sobre as calçadas e minha nova parte de New London.
Oh, I miss the Old London. Sorry Diane.
Por Patrícia Matzenbacher.